Capital amazonense consolida protagonismo internacional ao unir natureza exuberante, cultura viva e ancestralidade
Manaus deixa de ser apenas a porta de entrada da Amazônia e passa a ocupar, de forma estratégica e definitiva, o mapa do turismo global. A capital amazonense foi apontada como um dos dez destinos tendência para 2026 na pesquisa anual Previsões de Viagem, realizada pela Booking.com, consolidando um movimento que já vinha sendo percebido por quem vive e trabalha na região. Mais do que paisagens exuberantes, Manaus se projeta internacionalmente por entregar aquilo que o viajante contemporâneo mais valoriza: autenticidade, conexão cultural e experiências sensoriais genuínas.
A cidade não é apenas um destino geográfico. É uma experiência imersiva. Entre rios imponentes, floresta pulsante, mercados populares e um centro histórico que preserva marcas do Ciclo da Borracha, Manaus oferece um encontro direto com a essência amazônica. Nesse contexto, a gastronomia assume papel central como ponte entre passado e presente, tradição e inovação, ancestralidade e contemporaneidade.
Uma nova lógica de viagem: menos consumo, mais conexão
A inclusão de Manaus entre os destinos globais em alta reflete uma transformação profunda no comportamento do turista. O levantamento da Booking.com indica que os viajantes estão cada vez mais interessados em experiências personalizadas, que priorizam cultura local, sustentabilidade, vivências autênticas e integração com a comunidade.
Essa mudança de mentalidade desloca o foco do turismo convencional para o turismo de experiência. O viajante moderno não quer apenas fotografar um ponto turístico. Ele deseja entender o contexto, provar os sabores, ouvir as histórias, conhecer os modos de vida e participar da dinâmica cultural do lugar.
Em Manaus, essa busca encontra terreno fértil. O Encontro das Águas, fenômeno natural que revela o contraste entre os rios Negro e Solimões, simboliza não apenas um espetáculo visual, mas também o encontro de identidades, saberes e tradições. Caminhar pelo Centro Histórico, visitar o Teatro Amazonas, explorar feiras como a da Manaus Moderna e percorrer mercados regionais são experiências que aproximam o visitante da alma amazônica.
Mas é na mesa que essa conexão se aprofunda.
Gastronomia como identidade cultural
A culinária manauara vai muito além do sabor. Ela carrega memória, território e ancestralidade. Ingredientes como tucupi, jambu, pirarucu, tambaqui, açaí regional, farinha d’água e uma infinidade de temperos nativos revelam uma cozinha que nasce da floresta e dos rios, atravessa gerações e preserva saberes indígenas e ribeirinhos.
Segundo a pesquisa, a valorização da culinária regional acompanha uma tendência global conhecida como turismo sensorial. Comer deixa de ser uma necessidade funcional e passa a ser um dos principais motivadores da viagem. O prato se transforma em narrativa. O ingrediente vira símbolo. A refeição se torna memória.
Em Manaus, essa tendência encontra uma das expressões mais autênticas do Brasil. A cozinha amazônica combina técnica, tradição e biodiversidade de forma singular. Cada prato conta uma história. Cada receita traduz um território. Cada sabor aproxima o visitante de um dos maiores biomas do planeta.
Reconhecimento internacional e vocação natural
Para o sócio-proprietário do Grupo Engenho, o manauara Rogério Perdiz, o reconhecimento internacional reforça uma vocação que sempre esteve presente na cidade. Para ele, estar entre os destinos globais tendência confirma que o mundo busca experiências conscientes, sustentáveis e genuínas.
Segundo Perdiz, Manaus entrega isso naturalmente. A exuberância da floresta se une à riqueza cultural e à potência gastronômica para criar uma experiência completa. A comida manauara não é apenas sabor. É identidade. É memória coletiva. É conexão direta com o território.
Ele destaca que essa visibilidade amplia oportunidades. Ao ganhar projeção internacional, Manaus fortalece sua posição como polo gastronômico e cultural da Amazônia, estimulando investimentos, formação profissional, inovação e valorização da cadeia produtiva local.
Grupo Engenho: tradição, técnica e contemporaneidade
Nesse cenário de consolidação internacional, iniciativas como as do Grupo Engenho desempenham papel relevante na tradução da identidade amazônida à mesa. Com atuação no Norte do Brasil, o grupo reúne marcas que dialogam com diferentes públicos, sempre com foco na valorização dos ingredientes regionais e no respeito à origem dos produtos.
O Engenho Cozinha Brasileira, presente em Manaus e Belém, propõe uma leitura ampla da gastronomia nacional, estabelecendo pontes entre diferentes regiões do país e a culinária amazônica. A proposta é integrar técnica contemporânea e memória afetiva, mantendo o protagonismo dos ingredientes locais.
No Terra & Mar, referências portuguesas e argentinas dialogam com peixes amazônicos e insumos da floresta, criando uma experiência que combina tradição europeia e identidade regional. Já no Sagrado Peixe Cozinha Regional, a proposta é aprofundar a conexão com os rios e com o modo de comer do povo amazônida, reforçando a autenticidade da cozinha local.
O Boteco Gastrobar, por sua vez, amplia o acesso à experiência gastronômica, oferecendo um ambiente descontraído que valoriza sabores brasileiros com influência regional.
Para Rogério Perdiz, cozinhar na Amazônia exige responsabilidade cultural. Não se trata apenas de técnica culinária, mas de preservar saberes familiares, celebrar a cultura indígena e ribeirinha e transformar ingredientes tradicionais em experiências contemporâneas. Cada prato é pensado para despertar memórias ou criar novas conexões com a floresta.
Manaus além da floresta
Embora a imagem internacional da cidade esteja fortemente associada à Amazônia, Manaus é também um centro urbano dinâmico. Sua história urbana, marcada pelo Ciclo da Borracha, deixou como legado uma arquitetura imponente e uma herança cultural rica.
O Teatro Amazonas, inaugurado no século XIX, é símbolo dessa fase histórica e demonstra como a cidade sempre esteve conectada a fluxos globais. Hoje, esse diálogo se renova sob outra perspectiva: sustentabilidade, biodiversidade e cultura local.
O turismo em Manaus combina natureza e cidade. Passeios fluviais, trilhas ecológicas e vivências em comunidades ribeirinhas convivem com restaurantes autorais, centros culturais, feiras de artesanato e eventos gastronômicos. Essa diversidade amplia o tempo de permanência do visitante e fortalece a economia local.
Turismo consciente e desenvolvimento regional
A inclusão de Manaus na lista de destinos tendência para 2026 não é apenas um reconhecimento simbólico. Ela representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento regional. O turismo, quando estruturado de forma responsável, gera emprego, renda e valorização cultural.
A valorização da culinária regional fortalece produtores locais, pescadores, agricultores familiares e pequenos empreendedores. O reconhecimento internacional impulsiona cadeias produtivas e estimula a preservação ambiental, já que a floresta passa a ser compreendida como ativo econômico sustentável.
O viajante que escolhe Manaus busca algo além do convencional. Ele procura sentido. Procura autenticidade. Procura experiências que ampliem sua percepção de mundo. E encontra na capital amazonense uma síntese rara entre natureza, cultura e ancestralidade.
Manaus no contexto global
A lista da Booking.com reúne destinos de diferentes continentes, como Mui Né no Vietnã, Bilbao na Espanha, Barranquilla na Colômbia, Filadélfia nos Estados Unidos, Guangzhou na China, Sal em Cabo Verde, Münster na Alemanha, Kochi na Índia e Port Douglas na Austrália. Estar ao lado desses polos reforça a posição de Manaus como destino competitivo no cenário internacional.
O diferencial manauara, contudo, está na singularidade. Poucos lugares do mundo conseguem oferecer uma imersão tão intensa em biodiversidade, cultura indígena viva, culinária ancestral e urbanidade histórica simultaneamente.
O futuro do turismo amazônico
O reconhecimento internacional consolida uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos. O turismo amazônico tende a crescer sob a lógica da experiência sustentável, da valorização cultural e da economia criativa.
Para empresas, empreendedores e gestores públicos, o momento é estratégico. Investir em qualificação profissional, infraestrutura, comunicação internacional e fortalecimento da identidade regional torna-se fundamental para manter a competitividade global.
Manaus não entra no mapa do turismo global por acaso. Ela entra porque oferece aquilo que o mundo procura: verdade, autenticidade e conexão com algo maior.
Conclusão: autenticidade como diferencial competitivo
A presença de Manaus entre os destinos globais tendência para 2026 confirma uma virada de chave no turismo mundial. O viajante contemporâneo valoriza experiências profundas, sensoriais e culturalmente conectadas. E a capital amazonense reúne todos esses elementos de forma orgânica.
Da grandiosidade do Encontro das Águas à riqueza da culinária amazônica, da herança histórica urbana à força das tradições indígenas e ribeirinhas, Manaus consolida-se como destino que não apenas recebe visitantes, mas transforma percepções.
Mais do que um ponto no mapa, a cidade se afirma como experiência viva. Um território onde natureza, cultura e ancestralidade caminham juntas. Um destino que traduz o Brasil profundo para o mundo. E que, ao fazer isso, reafirma sua identidade com orgulho, consistência e visão de futuro.














